Preços Agrícolas

Claramente existe uma pressão sobre os preços agrícolas. É compreensível. A demanda por etanol (que pode ser extraído de vários produtos) advinda do aumento do preço do petróleo, aliada ao aumento de renda/crédito em países com alta propensão marginal a consumir alimentos (Brazil, China, Índia, México, etc.) resulta em uma forte pressão de demanda.

Algumas questões ficam em aberto. Por exemplo, esse tipo de aumento de preços, que parece ser na verdade mudança permanente em preços relativos, deve ser levada em conta na hora de definir-se metas de inflação? Entrariam essas variações no chamado Core da inflação? Se a mudança é mundial e os preços são commodities internacionais, adiantaria um aumento de juros para conter demanda, reduzindo crescimento e diminuindo a inflação? Palpites?

São perguntas interessantes. Parece-me uma mudança de preços relativos em que um conjunto de preços sobe e o outro fica fixo. Quando o ideal seria um conjunto subir um pouco e o outro cair de modo que a inflação fosse zero. A pergunta é: será que o BC está disposto a abortar o crescimento, mesmo que parcialmente, em troca de um ajuste de preços?

O Ministério da Fazenda anunciou ontem um corte, que se posto em prática, tiraria 19,4 bilhões do orçamento de 2008. Seria uma forma de conter demanda. Ao invés de política monetária, política fiscal. O valor é metade do que a CPMF arrecadava. É relativamente alto. Seria uma excelente alternativa. Entretanto, a história seria boa demais. No mesmo dia anunciaram um aumento de 16,9 bilhões das despesas obrigatórias.

E aí BC? Vai uma política monetária aí?

Leia mais sobre o "corte" fiscal AQUI.

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