Os sinais de que a crise econômica está se aproximando do seu final estão cada dia mais claros. Faço abaixo uma leitura simples e que penso estar no sentido do que a maioria dos economistas tem em mente ao projetar taxas positivas de crescimento para a economia brasileira no último trimestre de 2009.
Vamos começar com um indicador que antecipa o crescimento econômico, o índices de mercado (bolsa de valor). A tabela abaixo, extraída do site do NYT, mostra os índices sul-americanos e canadense. No último mês as bolsas ganharam mais de 10% e estão recuperando as perdas dos últimos 12 meses. A bolsa mexicana, por exemplo, está apenas 22% abaixo do seu valor de um ano atrás, o que é muito bom em termos relativos.
As commodities são outro bom indicador de crescimento, especialmente para o Brasil. Quando os preços das commodities começam a subir significa que a demanda mundial pelos produtos transacionados mais facilmente está aumentando, dada a oferta. O gráfico abaixo (da Bloomberg) mostra alguns índices de futuros de commodities, ou seja, qual a tendência dos preços.

Fica claro no gráfico acima que o pior da crise já passou. Novamente, vemos preços que estão cerca de 20% abaixo dos preços de 12 meses atrás. Mas note que há um cresimento a partir de janeiro. Muito modesto, é verdade, mas consistente. Além disso, o verão americano passado (junho-agosto) pressionou muito os preços das commodities, especialmente combustíveis e grãos. Portanto, parte da queda deve-se ao fato que aqueles preços também estavam em níveis acima de suas tendências de longo prazo. Quando chegarmos em novembro de 2009 e compararmos esse gráfico novamente, a tendência será de crescimento e o acumulado nos 12 meses será positivo em 30 ou 40 pontos.
Finalmente, é importante notar que os EUA serão um dos últimos países a sair da crise. Aqui, onde a crise começou, o governo está gastando demais, e a conseqüência mais severa é a desvalorização do dólar. A tabela abaixo (do NYT) mostra uma lista de moedas, e um pequeno gráfico no lado direito. O gráfico mostra uma bolinha e o compara com o intervalo em que a moeda esteve nas últimas 52 semanas.
A maioria das bolinhas está se movendo para a direita. Ou seja, são necessários mais dólares para comprar uma unidade de moeda estrangeira. O Real tambén está se movendo para a direita, mas no momento que eu imprimi a tabela o Real se desvalorizava um pouquinho.
O ponto importante é que o dólar está se desvalorizando em relação a basicamente todas as moedas, o que faz com que a "valorização do Real" não seja um problema tão grande para os exportadores brasileiros. Se o preço das commodities está aumentando (em dólares) e o real está se valorizando, mas o Euro também está se valorizando na mesma proporção com relaçõa ao dólar, então isso não afetaria as exportações para Europa. Pelo contrário, as exportações (preço x quantidade) aumentariam. Para os EUA, entretanto, é verdade que as exportações poderiam diminuir.
Em suma, a crise encaminha-se para o seu final. O Brasil, de fato, não teve apenas uma marolinha, mas foi um dos países que foi menos afetados pela crise, e será um dos primeiros a sair da crise. Eu sei que essa análise deixa vários outros indicadores de lado (inflação, desemprego, juros), mas quis fazer algo simples e rápido. Seus comentários, é claro, são sempre bem-vindos!
Vamos começar com um indicador que antecipa o crescimento econômico, o índices de mercado (bolsa de valor). A tabela abaixo, extraída do site do NYT, mostra os índices sul-americanos e canadense. No último mês as bolsas ganharam mais de 10% e estão recuperando as perdas dos últimos 12 meses. A bolsa mexicana, por exemplo, está apenas 22% abaixo do seu valor de um ano atrás, o que é muito bom em termos relativos.
As commodities são outro bom indicador de crescimento, especialmente para o Brasil. Quando os preços das commodities começam a subir significa que a demanda mundial pelos produtos transacionados mais facilmente está aumentando, dada a oferta. O gráfico abaixo (da Bloomberg) mostra alguns índices de futuros de commodities, ou seja, qual a tendência dos preços.
Fica claro no gráfico acima que o pior da crise já passou. Novamente, vemos preços que estão cerca de 20% abaixo dos preços de 12 meses atrás. Mas note que há um cresimento a partir de janeiro. Muito modesto, é verdade, mas consistente. Além disso, o verão americano passado (junho-agosto) pressionou muito os preços das commodities, especialmente combustíveis e grãos. Portanto, parte da queda deve-se ao fato que aqueles preços também estavam em níveis acima de suas tendências de longo prazo. Quando chegarmos em novembro de 2009 e compararmos esse gráfico novamente, a tendência será de crescimento e o acumulado nos 12 meses será positivo em 30 ou 40 pontos.
Finalmente, é importante notar que os EUA serão um dos últimos países a sair da crise. Aqui, onde a crise começou, o governo está gastando demais, e a conseqüência mais severa é a desvalorização do dólar. A tabela abaixo (do NYT) mostra uma lista de moedas, e um pequeno gráfico no lado direito. O gráfico mostra uma bolinha e o compara com o intervalo em que a moeda esteve nas últimas 52 semanas.
A maioria das bolinhas está se movendo para a direita. Ou seja, são necessários mais dólares para comprar uma unidade de moeda estrangeira. O Real tambén está se movendo para a direita, mas no momento que eu imprimi a tabela o Real se desvalorizava um pouquinho.O ponto importante é que o dólar está se desvalorizando em relação a basicamente todas as moedas, o que faz com que a "valorização do Real" não seja um problema tão grande para os exportadores brasileiros. Se o preço das commodities está aumentando (em dólares) e o real está se valorizando, mas o Euro também está se valorizando na mesma proporção com relaçõa ao dólar, então isso não afetaria as exportações para Europa. Pelo contrário, as exportações (preço x quantidade) aumentariam. Para os EUA, entretanto, é verdade que as exportações poderiam diminuir.
Em suma, a crise encaminha-se para o seu final. O Brasil, de fato, não teve apenas uma marolinha, mas foi um dos países que foi menos afetados pela crise, e será um dos primeiros a sair da crise. Eu sei que essa análise deixa vários outros indicadores de lado (inflação, desemprego, juros), mas quis fazer algo simples e rápido. Seus comentários, é claro, são sempre bem-vindos!
4 comentários:
Prezado Cristiano,
A análise é interessante...
O que dizer do fato de que o real foi a moeda que mais se desvalorizou no pico da crise? Mais de 40% em relação ao dólar.
A nossa "sorte", a meu ver, é que não houve um repasse disso para a inflação...
No mais, também estou otimista...
Sds,
VW
Bem, a questão é saber se aqueles 1,60 reais/dolar lá de outubro não eram apenas resultado de um boom de commodities (agricolas e petroleo) em uma conjuntura pré-fim-de-bolha.
Eu creio que sim, e que na verdade o real estava valorizado devido a essa demanda.
Voce pode notar que agora, na medida que as comoodities se valorizam novamente, o real vai no embalo.
Isso sem contar que o Brasil é um excelente lugar para investimento direto e financeiro, simplesmente por ter muito potencial de crescimento no curto prazo.
Abraco,
C
ainda acho que um formador de opinião nao pode formar opinião, algo paradoxal, é verdade, mas o gosto na boca de uma vitoria fácil pode representar a derrocada da dúvida e ai, estamos perdidos. abracos com os pés no chao e bom final de semana.
És o novo Flávio Flingespan...
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