Resolvi abrir espaço para que alguns dos meu leitores expressem suas opiniões aqui no blog. Espero que essa iniciativa seja vista como uma oportunidade de dicussão entre os leitores. Não importará o tema, desde que o conteúdo esteja relacionado aos problemas econômicos atuais. Para colaborar com este blog basta enviar um email (ver contato na barra lateral). O texto não poderá ser muito longo, no máximo quatro parágrafos, como é o padrão geral dos artigos mais extensos do blog. Segue abaixo o primeiro texto enviado por um grande amigo e assíduo leitor deste blog.
A pressão do governo federal sobre a atual direção da Vale deveria constar nos manuais da novíssima teoria da escolha pública. Estão lá, expostos como uma mina que brota riquezas da terra a olho nu, os mecanismos da busca de rendas, no caso, fortunas, o uso das empresas públicas por lobistas de partidos para atender uma visão de poder, quase sempre única, unilateral e de viés totalitário. Sabe-se pouco sobre os diálogos profanos que compõem a letra morta dos discursos de nosso presidente, agora, midiático.
A versão visível, oficial e de agrado geral é a de um líder lutando pela preservação do interesse nacional contra a vilania gananciosa de empresários impiedosos que ousam comprar navios da China, quando os interesses das empresas nacionais são negligenciados. Exploradores que são os empresários fazem lucro com a riqueza de nosso subsolo e não compram de nossas indústrias, e, pasmem, não investem no PAC (programa para apoiar a nossa candidata), não aplicam, portanto, no Brasil o que conseguem lucrar com nossas riquezas. Aliás isso constitui uma clara ruptura com o modelo chinês, onde, empresa, partido e poder constituem o mesmo DNA, não é de se estranhar que seja único o partido político a representar o povo, no novo dicionário de ciência política isso significa democracia direta e popular.
Um leitor mais sensível, contudo, seria capaz de soletrar o mantra que move a fala presidencial, mesmo dispondo de poucas informações e de uma imaginação criativa normal, é possível intuir que a ingerência de um presidente em uma empresa que possui capital aberto e que foi privatizada a luz do dia, obedece a uma lógica menos grandiloqüente. Um pequeno glossário ajudaria a ler o manual de instruções. Nesses casos, investir significa apoiar com dinheiro e muitos recursos os projetos de nossos bravos companheiros. Comprar de indústrias nacionais significa multiplicar a rede de apoio a nossos projetos de poder com recursos de toda ordem e de muitos setores. Afinal, favores presidências tem que ser compensados com favores a nossa gente, afinal a Vale, como o Brasil, é de todos nós, militantes do grupo da alvorada, de cruz alta e del partido no poder, ousar romper esse ciclo de favores é crime capital que só pode ser combatido com a troca da direção da vale e com outro palanque para inaugurar mais um estaleiro no sul.
Assim, com um enredo de teoria microeconômica pouco ortodoxa, poderia ser estimado o multiplicador da matriz de favores, esse sim Keynesiano, heterodoxo, popular e democrático. Um ardil que atende ao projeto desenvolvimentista de inspiração Furtadina. Amém!
Sabino da Silva Pôrto Jr. (Professor de Economia da UFRGS)
2 comentários:
Gostei desse espaço :) Boa ideia Cristiano! E ja começou muitissimo bem! Sabino é o cara!
Ja o vi apresentando artigos na Anpec/Ne umas 2x. Sabe muito! :)
Abraços!
:*
Valeu, espero a sua contribuição em breve.
Abraço,
Cristiano
Postar um comentário